sábado, 15 de julho de 2017

Attraversiamo

E essa palavra nunca teve tanto significado para mim.
A travessia parece o momento árduo
e doloroso, pelo qual não queria passar agora.
Não tenho estrutura emocional, fisica e mental para o instante, e mesmo assim preciso passar.
Me sinto cansada, mesmo sem fazer nada e isso é por um instante algo que não consigo controlar.
Não está no controle é algo tão complicado para mim.
Sinto falta da vida que estava começando a criar, sinto falta de quem estava me tornando e de como estava me cuidando.
Sinto tanto e dói tanto, que é uma mistura de sentimentos.

Sinto tanto...

E quando o mundo parece cair
Tudo sucumbir
Os planos traçados terem fim
E o amor esvair
Só fica a dor, dor e nada mais
Tanta dor que pareço morrer
Um pedaço meu se vai
Um pedaço seu em mim
Meu amor, te quero tanto bem
Mas do que tudo nessa vida
Te quero tanto meu bem
E hoje só sinto dor
Minha cabeça, olhos, corpo
Doi por completo e sinto tanto
Sinto por não te ter comigo
Sinto por vc está longe de mim.
Viva a mulher preta...
E diante tantos trancos e barrancos
Sobrevivemos nessa selva branca
Selva de dogmas, crenças, ódio e rancor
E como se o título mulher não bastasse
Somos nós a base da pirâmide da Sociedade
Minha sonoridade é seletiva, na aflita guerra pela sobrevivência, quero de mim cuidar, e mesmo achando um pouco controversa essa fala, a sinto de forma real.
Somos pretas, mas por muitas vezes, não temos os mesmos pensamentos.
A vida segue e nos colocamos por diversas vezes como inimigas de nós mesmas.
Inconstantes e não amantes, somos o retrato perfeito, do que os brancos pensam de nós.

Entra pedaços e farrapos

Mantendo a fortaleza de dentro de mim
Essa que parece querer fugir
Cair em si, e Djavan volta a mente
Inquieta entre o sol e o poente
Busco o resto de mim
Encontro sorrisos, abraços
Beijos, afagos, me encontro
Remonto meu modo de sentir
E sinto mais, cada olhar, despertar
E até os abraços não dados, sinto
Reflito, contemplo.

Fora de mim

Como uma estranha dentro de mim
Meus sentidos estão bagunçados
Mas sinto de forma muito intensa tudo
Perco passo e pareço ainda mais atenta
Não estou, é só minha vontade querendo gritar mais alto.
Faço as coisas no automático, desacelero, paro, me deito, e tento lembrar se deixei tudo no lugar.
Sinto o raio solar, mas não corro para rua
Prefiro a quietude do dia, e minha cabeça um turbilhão vazio.
Estranha como outro ser, talvez um mais sincero talvez.
Estranha e cheia de receios, do toque ao olhar desconfiada.
Estranha e tão eu ao mesmo tempo, raciocino lento, mas consigo ligar as coisas.
Ligar e me desligar, pelo menos por um instante.
E entre instantes distantes busco a definição de mim.
Certa de que um dia encontrarei.